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O Renascimento Cultural
Como já sabemos anteriomente que a intensificação
do comércio e da produção artesanal resultou no desenvolvimento das
cidades, no surgimento de uma nova classe social a burguesia e
na posterior formação das monarquias nacionais. Estas transformações
vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se manifestou na arte e
na cultura de maneira de geral.
A cultura medieval se caracterizava pela
religiosidade. A Igreja Católica, como vimos, controlava as manifestações
culturais e dava uma interpretação religiosa para os fenômenos da natureza,
da sociedade e da economia. A esta cultura deu-se o nome de teocêntrica
(Deus no centro). A miséria, as tempestades, as
pragas, as enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como
castigos de Deus. Assim como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo
bom, a fortuna eram bênçãos divinas. A própria posição que o indivíduo
ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma explicação
religiosa.
A arte medieval, feita normalmente no interior das
Igrejas, espelhava esta mentalidade. Pinturas e esculturas não tinham
preocupações estéticas e sim pedagógicas: mostrar a miséria do mundo e a
grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais e
acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de
autoria coletiva, o artista medieval é anônimo.
A literatura medieval era composta de textos teológicos,
biografias de santos e histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da
Igreja e da nobreza sobre a sociedade.
Essa visão de mundo não combinava com a experiência
burguesa. Essa nova classe devia a sua posição social e econômica ao seu próprio
esforço e não à vontade divina, como o nobre. O sucesso nos negócios
dependia da observação, do raciocínio e do cálculo. Características que
se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade medieval.
Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua
concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o
resultado de seus esforços. E também claro que o comerciante burguês era
essencialmente individualista. Quase sempre, o seu lucro implicava que outros
tivessem prejuízo.
A visão de mundo da burguesia estará sintonizada
com a renovação cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da
Idade Moderna. A essa renovação denominamos Renascimento.
Características do Renascimento Cultural
O Renascimento significou uma nova arte, o advento do
pensamento científico e uma nova literatura. Nelas estão presentes as
seguintes características:
a-
antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem
como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e
perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos
à sua volta.
b-
otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na
capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza
do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.
c-
racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e
pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do
conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na
tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.
d-
humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava
os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica
que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses
humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.
e-
hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se
opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.
f-
individualismo: a afirmação do artista como criador
individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista
assinava suas obras, tomandose famoso.
g-
inspiração na
antiguidade clássica: os
artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e
romanos. O próprio termo Renascimento
foi cunhado pelos contemporâneos do
movimento, que pretendiam estar fazendo renascer aquela cultura,
desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).
Itália: o Berço do Renascimento
O Renascimento teve início e atingiu o seu maior
brilho na Itália. Daí irradiou-se para outras partes da Europa. O
pioneirismo italiano se explica por diversos fatores:
a- a vida
urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre foram
mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Como vimos, o Renascimento
está ligado à vida urbana e à burguesia. Basta lembrar que Veneza e Gênova
foram duas importantes cidades portuárias italianas, ambas com uma poderosa
classe de ricos mercadores.
b- a Itália foi
o centro do Império Romano e por isso tinha mais presente a memória da
cultura clássica. Como vimos, o Renascimento inspirou-se na cultura
greco-romana.
c- o contato com
árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições para que os
italianos tivessem acesso às obras clássicas preservadas por esses povos.
Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios
bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte.
d- O grande acúmulo
de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma poderosa classe de
ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo representava
um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual. Muitos
pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa
poderosa classe. À essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o
nome de mecenato. Entre
os principais mecenas podermos destacar os papas Alexandre II, Júlio II e Leão
X. Também ricos mercadores e políticos foram importantes mecenas, como,
por exemplo, a família Médici.
Já no século XIV (Trecento) surgiram
as primeiras figuras do Renascimento, como, por exemplo, Giotto (na pintura),
Dante Allighieri, Boccaccio e Francesco Petrarca (na literatura). No século
XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande
intensidade. Mas foi no século XVI (Cinquecento)
que o
Renascimento atingiu o auge.
A Decadência do Renascimento Italiano
A decadência do Renascimento italiano pode ser
explicada por diversos fatores. As lutas políticas internas entre as
diversas cidadés-Estado e a intervenção das potências políticas da época
(França, Espanha e Sacro Império Germânico), consumiram as riquezas da Itália.
Ao mesmo tempo, o comércio das cidades italianas
entrou em franca decadência depois que a Espanha e Portugal passaram a
liderar, através da rota do Atlântico, o comércio com o Oriente.
O Renascimento em outras parte da Europa
O renascimento comercial e urbano ocorreu em várias
partes da Europa. Desta forma, criaram-se as condições para a renovação
cultural, assim como ocorreu na Itália.
Nos Países Baixos, uma classe de ricos comerciantes
e banqueiros estava ligada ao consumo e à produção de obras de arte e
literatura. Um dos grandes pintores flamengos foi Brueghel, que viveu em
Antuérpia. Ele pintou, principalmente, cenas da vida cotidiana, retratando o
estilo de vida da classe burguesa em ascensão (A Dança do Casamento, de 1565). Destacaram-se ainda os irmãos pintores Hubert e Jan van Eyck (A
Virgem e o Chanceler Rolin).
A crítica à intolerância do pensamento religioso
medieval foi feita por Erasmo de Roterdan (1466-1529) com sua obra Elogio
da Loucura.
Na França, o Renascimento teve importantes
expoentes:
a- na literatura e filosofia, Rabelais (1490-1 553),
autor de Gargantua e
Pantagruel, obra na qual critica a educação e as táticas
militares medievais. Montaigne (1533-1592), autor de estudos filosóficos céticos
intitulados Ensaios, nos
quais o principal objeto de crítica é o clero.
b- nas ciências, Ambroise Pare (1517-1590)
destacou-se com estudos de medicina. Inventou uma nova técnica para sutura
das veias.
Na Espanha,
a forte
influência da Igreja Católica e o clima repressivo da Contra-Reforma,
dificultaram as inovações. Desta forma, as realizações culturais
marcadamente renascentistas foram reduzidas.
Nas artes plásticas destacou-se El Greco
(1575-1614), o grande pintor espanhol do Renascimento (O
Enterro do Conde de Orgaz e
A Visão Apocalíptica).
Na literatura, a Espanha produziu um dos maiores clássicos
da humanidade. Trata-se de D. Quixote de La
Mancha, de
Miguel de Cervantes, obra na qual o personagem principal (D.Quixote) é um
cavaleiro romântico que imagina estar vivendo em plena Idade Média. A metáfora
é referente à decadência da cavalaria e ao conflito entre a mentalidade
moderna e a medieval.
Na ciência, a Espanha contribuiu com Miguel de
Servet, que se destacou pelo seus estudos da circulação do sangue.
Na Inglaterra,
um dos
principais expoentes do Renascimento foi Tomas Morus (1475-1535), autor de Utopia,
obra que descreve as condições de vida da população
de uma ilha imaginária, onde não havia classes sociais, pobreza e
propriedade privada.
É também
inglês o maior dramaturgo de todos os tempos, William Sheakspeare
(1564-1616). Foi sob o reinado de Isabel 1 que Sheakspeare produziu a maioria
de suas obras, dentre as quais destacam-se Hamlet,
Ricardo III, Macbeth, Otelo e
Romeu e Julieta.
Destaca-se ainda no Renascimento inglês, o filósofo
Francis Bacon (1561-1626), autor de Novun
Organun. Esse
autor pode ser considerado um dos precursoes do Iluminismo (ver capítulo
9).
Em Portugal,
o grande
representante do renascimento literário foi Luís Vaz
de Camões (1525-1580),
autor de Os Lusíadas, poema épico que narra os grandes feitos da
navegação portuguesa.
O teatro português renascentista foi imortalizado
por Gil Vicente, autor das obras Trilogia das Barcas e a Farsa de Inês Pereira.
Na Alemanha,
a pintura
renascentista consagrou os nomes de Hans
Holbein (1497-1553)
e Albert Durer (1471-1528).
Podemos destacar ainda, como representantes do
Renascimento científico, o monge polonês
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A Reforma Religiosa
Podemos definir a Reforma Religiosa como o movimento
que rompeu a unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem a novas
igrejas cristãs. Com ela a Igreja Católica perdeu o monopólio religioso que
mantivera durante a Idade Média.
A Reforma Religiosa foi contemporânea do
Renascimento, e também pode ser explicada pelas transformações econômicas
e sociais ocorridas na Europa na transição da Idade Média para os tempos
modernos.
Todavia, enquanto o Renascimento foi um movimento de
elite, a Reforma envolveu todas as camadas sociais européias.
Fatores que Explicam a Reforma
Os fatores que explicam a Reforma Religiosa são de
ordem cultural, econômica e política.
a- Cultural.
O
racionalismo e a valorização do homem, próprios do Renascimento, deram
origem a uma mentalidade que se opunha a religiosidade católica medieval. O
espírito crítico do Renascimento colocou em xeque os tradicionais
ensinamentos da Igreja.
A divulgação e a leitura dos textos bíblicos, dos
escritos dos sábios da antiguidade e dos santos da Igreja criaram um clima
de debate e questionamento das verdades estabelecidas. Tanto que os primeiros
movimentos que questionaram a autoridade da Igreja surgiram no interior das
Universidades. O homem renascentista exigia uma religião mais adequada aos
novos tempos.
b- Econômico.
O
renascimento comercial criou uma nova realidade econômica na Europa. A
Igreja teve dificuldade em adequar os seus ensinamentos a essa nova realidade.
Os dogmas católicos tradicionais combinavam com a economia de subsistência
da Idade Média. No entanto, o lucro e a cobrança de juros, estranhos a essa
economia, passaram a ser essenciais depois do renascimento comercial.
De modo que a burguesia tendia a não aceitar aqueles
dogmas religiosos.
c- Político. Como
vimos em capítulo anterior, o poder nacional do rei, surgido com a centralização
política, se contrapunha ao poder supranacional da Igreja. Os conflitos entre
os interesses das monarquias nacionais e os de Roma se manifestavam nos
direitos de cobrar impostos, na administração da justiça e na nomeação
dos bispos. Os reis não podiam admitir que as rendas obtidas pela Igreja em
seus domínios fossem enviadas para Roma. Por outro lado, precisavam impor
sua justiça em todo o território nacional, e isto significava a supressão
dos tribunais eclesiásticos.
Além disso, os reis disputavam com os papas o
direito de nomear os bispos, pois estes tinham um grande poder político.
Portanto, o rompimento dos Estados Nacionais com a
Igreja Católica, foi uma decorrência natural desses conflitos de interesses.
Foram ainda fatores importantes para a Reforma a
crise e a decadência da Igreja Católica. O luxo do clero, a compra de cargos
eclesiásticos, o envolvimento da Igreja nas questões políticas, a má formação
teológica dos padres, a venda de indulgências (perdão da Igreja aos
pecados) e de falsas relíquias religiosas contribuíam para o desprestígio
da instituição diante dos fiéis
.Antecedentes
da Reforma -
As Heresias
A Igreja Católica considerava como herética toda e
qualquer manifestação religiosa (ou não) que não estivesse conforme a
sua doutrina e submetida a sua autoridade.
Uma das heresias que floresceram durante a Baixa
Idade Média foi a de John Wycliffe (1320-1384), professor de Oxford
(Inglaterra). Ele achava que a Igreja deveria ser subordinada ao Estado. Não
admitia a veneração de imagens, nem a confissão e o perdão que a Igreja
dava aos pecados. A salvação dos homens era uma questão direta entre estes
e Deus. Estes ensinamentos foram suficientes para transformar Wycliffe em um
herético.
Também em Praga, na Boêmia, Jan Huss (1369-1415),
reitor da universidade local, atacou os abusos da Igreja e defendeu princípios
semelhantes aos deWycliffe. Sua influência foi tão grande que o papa decidiu
pela sua excomunhão. Huss foi queimado por heresia.
Wycliffe e Huss foram precursores do movimento
reformista do século XVI.
Muitas revoltas populares tiveram inspiração
religiosa. Os ensinamentos de Wycliffe inspiraram propostas radicais, como as
do monge John Baíl. Elas acabaram desencadeando uma revolta camponesa
liderada por Watt Tyler (1381).
Por meio de uma nova interpretação do cristianismo,
tentava-se também criar formas alternativas de organização social. Este foi
o caso dos cátaros (albigenses) e
dos valdenses, movimentos heréticos aniquilados com extrema
violência
pela Igreja.
A Reforma Luterana
Martinho Lutero (1483-1546), era um monge agostiniano
alemão de sagaz inteligência e estudioso da bíblia. Com base nos seus
estudos começou a criticar os abusos da Igreja. Depois de uma viagem à Roma
voltou abalado com o luxo, a decadência de costumes e a corrupção do alto
clero.
O conflito de Lutero com a Igreja começou com suas
críticas à venda de indulgências na Alemanha. Lutero criticou não só o
fato de serem vendidas, mas o próprio valor espiritual dessas indulgências.
Segundo ele, a Igreja não tinha o poder de conceder perdão aos pecados. Isto
só caberia a Deus.
A polêmica acabou levando à excomunhão de Lutero.
O monge rebelde rasgou a bula da excomunhão e afixou na porta da catedral
de Wittemberg as famosas 95 teses. Neste documento já estão
presentes as linhas mestras de sua doutrina.
Basicamente, a doutrina luterana divergia do
catolicismo nos seguintes pontos:
a- Livre-exame.
O crente teria
direito de ler a bíblia e tirar suas próprias conclusões. Desta forma,
Lutero negava à Igreja o direito de ser a intérprete da palavra divina.
b- Salvação
pela fé. Com
base em São Paulo, Lutero afirmava que o homem está destinado a pecar. Para
São Paulo o homem não é capaz
de fazer o bem que quer mas faz o mal que não quer. Assim não se salvará pelas obras, mas sim pelo
arrependimento e pela fé.
c- Condenação
do celibato. Para
Lutero não havia fundamento bíblico para o celibato do clero. Sendo assim,
os ministros da Igreja deveriam se casar.
d-
Condenação da veneração
ou culto aos santos. A
veneração e culto deveriam ser prestados somente a Deus. As imagens que
enchiam as Igrejas católicas eram vistas por Lutero como pura idolatria.
e-
Negação do dogma da
transubstanciação. O
vinho e o pão não se transformariam no sangue e no corpo de Cristo. A
comunhão seria apenas uma reafirmação da fé na ressurreição de Cristo e
na sua promessa de resgatar os pecados.
f- Negação
da infalibilidade papal. Para Lutero os papas estavam sujeitos ao erro como qualquer ser humano.
Um dos fatores principais da vitória da Reforma
Luterana foi o apoio que o ex-monge recebeu dos nobres alemães. Como a Igreja
era a maior proprietária de terras na Alemanha, os príncipes viram no
conflito religioso uma oportunidade de se apossarem destas terras.
Os camponeses alemães, oprimidos pela miséria,
viram na pregação reformista uma esperança para seus males. Eles também
queriam as terras eclesiásticas. Todavia, Lutero não endossou as pretensões
camponesas, pois estava identificado com os interesses da nobreza.
O reformador que apoiou e liderou as revoltas
camponesas foi Tomas Mtinzer, o teólogo da revolução. Segundo Miinzer, o
reino de Deus deveria ser implantado neste mundo. O conflito entre nobres e
camponeses deu origem a uma guerra civil na Alemanha. Os camponeses foram
massacrados pelos nobres, em 1523, com pleno apoio de Lutero.
Na época, o Sacro Império Germânico era composto
por vários estados semi-independentes. A rebeldia e a ambição dos príncipes
alemães ameaçava mais ainda a pouca autoridade do imperador. Dessa forma, o
imperador condenou a Reforma e apoiou a Igreja. A oposição entre o Imperador
(apoiado pela Igreja) e os nobres alemães (apoiados por Lutero), resultou em
uma prolongada guerra político-religiosa. Depois dessa guerra, a Alemanha
ficou dividida em estados católicos e luteranos.
Uma das características do luteranismo, certamente
em virtude da vinculação entre Lutero e os príncipes alemães, é a defesa
da união Estado-Igreja. A Igreja Luterana já nasceu
vinculada ao Estado.
A Reforma Calvinista
João Calvino (1509-1564), francês e seguidor das idéias
luteranas, se estabeleceu em Genebra (Suíça), onde escreveu As
Instituições Cristãs. Nessa
cidade começou a pregar a sua doutrina, que tinha muitos pontos em comum
com o luteranismo. A diferença mais importante se refere à doutrina da salvação.
Para Lutero, como vimos, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela pré-destinação.
Baseando-se em Santo Agostinho, Calvino diz que nós viemos ao mundo pré-destinados
por Deus a sermos salvos ou condenados. Desta forma, a nossa salvação não
depende da fé e nem das boas obras, mas sim da escolha divina.
Os sinais da escolha divina se manifestariam na vida
dos indivíduos. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres
para com a sociedade e a família seriam alguns desses sinais. Esse cidadão
teria também a sua vida abençoada por Deus, resultando no progresso econômico.
O estudioso alemão Max Weber, na obra A
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, mostrou
a relação existente entre o calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo.
Segundo esse autor, o calvinismo favorece a acumulação capitalista,
prescrevendo uma vida dedicada ao trabalho e à poupança.
Coincidência ou não, os países do norte da Europa,
onde o capitalismo mais se desenvolveu, localizam-se exatamente nas áreas
onde a reforma calvinista mais se implantou.
A Expansão do Calvinismo
A partir da Suíça, os pregadores calvinistas
conseguiram difundir sua doutrina em várias partes da Europa. Na Inglaterra
os calvinistas ficaram conhecidos como puritanos.
Foram perseguidos
e imigraram em grande número para a América. Na Escócia, ficaram
conhecidos como presbiterianos, e
na França como huguenotes.
A burguesia encontrou no calvinismo a doutrina
adequada à seus interesses e ao seu modo de vida. Incompatibilizada com o
princípio católico do justo preço
e da proibição
da usura, a burguesia abraçou a nova doutrina.
A Reforma Anglicana
De todos os movimentos reformistas, a Reforma
Anglicana foi a que mais claramente revelou motivos políticos. Ela teve
origem no conflito entre o rei Henrique VIII (1509-1547) da Inglaterra e o
papa Clemente VII, que não concordou em conceder ao rei o divórcio de sua
primeira esposa, Catarina de Aragão.
Esse conflito, aparentemente simples, escondia divergências
mais pr
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Como se pode perceber, esta reforma não se deu por
motivos doutrinários e sim claramente políticos. Por isso, inicialmente, a
religião anglicana pouco diferia da católica. Se diferenciava apenas pelo
uso do inglês em lugar do latim e pela obediência ao rei e não ao papa.
Mais tarde, sofreu algumas mudanças introduzidas pela rainha Isabel 1, filha
de Henrique VIII.
A Contra-Reforma
Podemos definir a Contra-Reforma como o conjunto de
medidas tomadas pela Igreja Católica para deter o avanço das igrejas
reformadas.
A principal providência tomada foi a convocação do
Concílio de Trento (1545-1563). Neste Concílio foram reafirmados os dogmas e os
princípios católicos negados pelos reformadores. Foram criados o Index
Librorum Prohibitorum (relação
de livros proibidos); o Catecismo, para
dar educação religiosa, principalmente às crianças, e Seminários,
para formar melhor
o clero. O Tribunal do Santo Ofício
(Inquisição)
foi remodelado e reativado para perseguir os que se desviassem dos princípios
católicos. A Contra-Reforma reafirmava ainda que só à Igreja era permitida a
interpretação da bíblia.
Nesta época, a ordem religiosa fundada por Inácio
de Loiola, Companhia de Jesus, foi reconhecida pela Igreja. Esta ordem teria
importante papel da difusão do catolicismo na América. Os jesuítas,
submetidos a uma rigorosa disciplina, se dedicavam à educação e à
catequese.
A Contra-Reforma conseguiu afastar a ameaça
reformista do sul da Europa. Até hoje, Itália, Espanha e Portugal são países
essencialmente católicos. Mas, muitos estudiosos atribuem o relativo atraso
cultural e científico dos países católicos à atuação repressiva da Igreja.
Bibliografia
História Geral
Antônio Pedro/Lizânias de S. Lima